A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
reafirmou a responsabilidade do pai de condutor do veículo causador de acidente
que vitimou jovem de 19 anos, responsabilizando-o pelo pagamento de indenização
por danos sofridos. O colegiado entendeu que o proprietário do veículo que o
empresta a terceiro responde por danos causados pelo seu uso culposo.
No
caso, os pais e o filho menor da vítima ajuizaram ação de reparação por danos
materiais e compensação por danos morais, decorrentes do acidente que ocasionou
a morte da jovem, contra o pai do condutor e proprietário do veículo envolvido
no acidente fatal.
Na contestação, o réu (pai do condutor do veículo)
alegou, preliminarmente, sua ilegitimidade passiva, uma vez não ser ele o
condutor do veículo causador do acidente, mas apenas seu proprietário e, no
mérito, ausência de provas da culpa do condutor pelo acidente; culpa exclusiva
da vítima; que seu filho pegou o carro sem autorização, o que afastaria sua
responsabilidade pelo acidente, e ausência de comprovação dos danos.
A
sentença julgou improcedente a ação, considerando a inexistência nos autos de
prova da relação de preposição entre o proprietário do veículo e o seu condutor
ou, ainda, omissão no dever de guarda e vigilância do automóvel.
A
família da vítima apelou e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) entendeu
que o proprietário deve ser diligente quanto à guarda e controle do uso de seu
veículo, e que a retirada do carro de sua residência, com ou sem sua
autorização, implica imputação de culpa, devendo o dono responder pelos danos
causados a terceiros, ainda que o veículo seja guiado por outra pessoa. Assim,
fixou a condenação em danos morais em 50 salários mínimos para o filho da vítima
e mais 50 salários mínimos a serem divididos entre os pais da vítima.
No STJ - As duas partes recorreram ao STJ. A defesa do
réu alegou que a responsabilidade civil do pai pelos atos danosos do filho
somente se configura se este for menor. A família da vítima afirmou que o TJMG
deixou de analisar os pressupostos de fixação de indenização por danos
materiais, consistentes na prestação de alimentos. Além disso, questionou o
valor arbitrado a título de danos morais.
Em seu voto, a relatora,
ministra Nancy Andrighi, destacou que o TJMG, a partir da análise da prova dos
autos, reconheceu a culpa do condutor do veículo pelo acidente e o nexo causal
entre a morte da vítima e o acidente ocasionado pelo filho do réu, ao se
utilizar do veículo de sua propriedade, não cabendo, em recurso especial, o
reexame dessas provas, diante do impedimento da Súmula 7.
Quanto à
reparação por danos materiais, a ministra Nancy Andrighi afirmou que, em se
tratando de família de baixa renda, mesmo que tivesse ficado demonstrado que a
vítima não exercia atividade remunerada, dependendo totalmente dos pais, como,
de certa forma, deu a entender a decisão do TJMG, ainda assim é o caso de
reconhecer o potencial da vítima em colaborar com a renda familiar e com o
sustento de seus pais no futuro, quando esses não tivessem mais condições de se
manter por si próprios.
Além disso, em relação ao filho da vítima,
independentemente da prova de sua efetiva colaboração com o sustento da criança,
não há como não reconhecer o prejuízo material que ela sofreu e vem sofrendo em
decorrência da morte da mãe. Isso porque é patente a dependência econômica do
descendente em relação ao ascendente e o dever deste de prover a subsistência
daquele.
A ministra fixou o valor total da reparação pelos danos
materiais nos seguintes critérios: aos pais, será correspondente a um terço da
remuneração da vítima, desde a data do acidente, até a idade em que ela
completaria 25 anos e, a partir de então, tal valor será reduzido pela metade
até a idade em que ela completaria 65 anos de idade. Ao seu filho, será
correspondente a dois terços da remuneração da vítima, desde a data do acidente,
até que ele complete a idade de 25 anos.
Quanto ao valor do dano moral,
a relatora aumentou para 300 salários mínimos, devidos a cada um dos autores,
individualmente considerados.
Fonte: Jurisway
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor, identifique-se e evite utilizar termos ofensivos.